Mulheres Negras na Educação Brasileira

Mulheres negras na educação brasileira é um livro que busca sistematizar debates acerca do protagonismo das mulheres negras no processo educacional no Brasil, apresentando aspectos históricos e contemporâneos para entender tal protagonismo no âmbito das questões relacionadas à igualdade racial.

 A proposta que apresento é basicamente a de entender que no contexto histórico da educação no Brasil, especialmente aquela denominada de educação não formal, as mulheres negras sempre estiveram presentes. Contudo, na contemporaneidade, não apenas esse protagonismo não é reconhecido, como essas mulheres precisam constantemente desafiar os limites que lhe são colocados pelo racismo institucionalizado no Brasil. Assim, no livro trago construções que auxiliam no entendimento histórico da presença da mulher negra na educação não formal no Brasil, e ainda apresento reflexões pertinentes à realidade contemporânea da inserção da mulher negra nos espaços formais de educação infantil, dado o potencial desse lócus para a construção da igualdade racial no País.

  O livro origina-se na minha preocupação em pensar a questão da mulher negra no Brasil para além da constatação do racismo, da desigualdade, dos processos reais de exclusão dessa mulher do mercado de trabalho, do preconceito, da discriminação e de tantos outros elementos que sempre se destacam quando se realizam análises sobre as questões de gênero e raça no Brasil. Tais questões são fundamentais e extremamente necessárias para entender o panorama em que está inserida a questão da mulher negra na realidade brasileira.

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 Sempre fui instigada a pensar a resistência, a luta, o protagonismo negro e, então, pensando o trabalho de educadoras em creches, começou a inquietar-me a ideia de que o trabalho que essas educadoras realizam, ligado aos processos de socialização primária das crianças, guarda proximidades com o trabalho que era desenvolvido pelas amas no Brasil escravocrata. 

Mas essas proximidades raras vezes foram observadas. O trabalho desenvolvido pelas amas negras ficou no ideário brasileiro restrito, na maioria das vezes, à questão da alimentação das crianças brancas. Mas existiram diversos outros elementos e, entre eles, o componente educativo deste livro.

 E a partir dessa inquietação inicial comecei a estudar a questão e fui encontrando elementos que ajudaram a preencher esse desenho. Busquei em textos acadêmicos e literários os aspectos que caracterizaram esse componente educativo na função desenvolvida pelas amas, sendo assim construída a reflexão que apresento com destaque na primeira parte do livro.

 Partindo desse desenho histórico, mas atenta ao tempo presente e tendo em vista a preocupação relacionada à igualdade racial, busquei entender os desafios que são colocados para as educadoras negras que estão inseridas na educação infantil na contemporaneidade e, para tanto, fui ouvi-las. A partir de uma pesquisa com entrevistas foi possível conhecer melhor o cotidiano do trabalho dessas mulheres, suas histórias e anseios. Por isso, a segunda parte do livro traz de forma destacada as falas dessas educadoras.

Considerando a releitura histórica e as falas de mulheres negras na contemporaneidade, construí a reflexão voltada para o entendimento da igualdade racial, compreendendo a amplitude de significados acerca desse conceito, mas destacando que ele precisa estar diretamente vinculado à ideia de emancipação humana, conforme a tradição crítica marxista.

Nessa leitura, o horizonte ético da busca pela igualdade racial deve ser necessariamente a emancipação humana e optei por pensar esses aspectos a partir da questão de gênero, raça e educação. 

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